Sabe o que é um pneu?

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Um pneu não será donut mas tem alguma semelhança com este bolo. Afinal, sobre o ponto de vista geométrico, um pneu é um toróide, em tudo idêntico a um donut, mas é muito mais do isso, naturalmente.

Construído através da conjugação de vários materiais, nomeadamente borrachas, de origem natural ou sintética, ainda os têxteis, como o nylon, poliéster ou aramid, e materiais metálicos, o pneu é afinal algo bem mais complexo do que apenas um elemento preto, redondo, e com um buraco no meio, porventura a expressão mais redutora sobre a realidade deste equipamento do automóvel. Mas o que é de facto um pneu?

A resposta a esta pergunta é dada aqui por Ricardo Cardoso, técnico da Bridgestone, através de uma explicação alargada sobre a realidade deste que é porventura o principal e primeiro elemento de segurança num veículo. Desde logo, a sua função primária é a de reter o ar pressurizado no seu interior, através do qual cumpre depois a missão de suportar a carga que lhe é imposta.

Um pneu, na realidade, é um contentor que tem como função reter o ar no seu interior, isto porque é o pneu, em conjunto com o ar pressurizado no seu interior, que forma o conjunto que permitirá suportar a carga. Será importante reter, aliás, que um pneu, por si só, não tem a capacidade de suportar a carga, só o podendo fazer através da presença do ar pressurizado. Por via disso, um pneu tem que conseguir alojar uma quantidade de ar pressurizado que será tanto maior quanto mais elevada for a carga a suportar, sendo esta uma das quatro funções do pneu e determinante na sua prestação.

Sobre as outras grandes funções do pneu, elas são, nomeadamente, a capacidade de manter ou mudar a trajectória da viatura, também a capacidade de conferir tracção ou força motriz, ou permitir a imobilização da viatura, em ambos os casos através do atrito que é gerado entre o pneu e a superfície em que este roda, e ainda a capacidade de participar no conforto, isto porque o pneu, para além de toda a estrutura de suspensão, é também um elemento que contribui para o conforto a bordo do veículo.

Para além das quatro principais funções do pneu, existem outras a ter em conta no momento em que se projecta um pneu, nomeadamente o impacto ambiental, o ruído de rolamento, os desgastes irregulares, a capacidade de resistência a cortes e arrancamentos, a estética é também hoje em dia uma preocupação na concepção do pneu, entre tantas outras funções que se poderão colocar num patamar inferior de importância.

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Questões a ter em conta na compra

No momento da aquisição de pneus para o seu automóvel, o consumidor irá ter em conta questões como o preço, as dimensões, ou as características indicadas na etiqueta que acompanha o pneu. Contudo, haverá alguns aspectos que será sempre necessário ter em conta, nomeadamente responder às medidas que estão averbadas nos livretes da viatura, “mesmo que se possam fazer equivalências”, como nos recorda Ricardo Cardoso. Para essas equivalências, normalmente associadas à busca de outras capacidades de desempenho, nomeadamente a tracção ou o grip (aderência), “existem critérios próprios, sendo necessário respeitar os índices de carga e os símbolos de velocidade que estão inscritos nas paredes laterais dos pneus.”

“Num processo de equivalência, é necessário ter em atenção o diâmetro exterior do pneu, que tem que ser mais ou menos três por cento sobre o diâmetro da roda indicada para o equipamento de origem, temos ainda ter em atenção a largura da jante, não podemos criar conflito com outros componentes mecânicos. Ainda assim, em Portugal, e em face do actual enquadramento legal, é imperativo ter em conta que as equivalências não são possíveis a menos que a medida desejada já esteja averbada no livrete.”

Deste modo, no momento da aquisição de novos pneus, é imperativo ter em conta as medidas determinadas pelo livrete do veículo, podendo a partir daí ser feita a escolha em função do tipo de utilização que iremos dar ao pneu, sabendo que os pneus podem estar segmentados em três grandes grupos, nomeadamente os pneus desportivos, pneus de turismo e utilitários. “Podemos sempre ir um pouco mais adiante dentro de cada um destes segmentos e encontrar pneus mais específicos para cada uma destas funções, mas de uma forma geral podem ser agrupados nestes três grandes segmentos!”

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Sabendo o tipo de aplicação que queremos dar ao pneu podemos, por aí, ter uma escolha adequada. Um condutor que procura grip e desempenho em elevados regimes quer adquirir um pneu que permita segurança e tenha uma resposta perante a performance desejada, esquecendo questões como o ruído de rolamento ou a influência no consumo de combustível. Para uma viatura com 300 ou 400 cavalos de potencia, o condutor procura um pneu que lhe permita circular em velocidades elevadas e o “agarre” à estrada, levando a que o veículo circule como “sobre carris”. Para isso há pneus enquadrados no segmento desportivo.

Se um condutor, ainda que tenha em conta o factor velocidade, dê maior importância ao conforto, procurando um pneu com baixo ruído de rolamento e baixa resistência ao rolamento, aqui porque o consumo de combustível já é tido em conta, estará já em busca de um pneu que será enquadrado no segmento de turismo. Aqui, no segmento dos pneus de turismo, encontramos já pneus com outro desenho de piso e outra configuração.

Por fim, há o segmento dos pneus utilitários, procurados por quem tem a preocupação do consumo de combustível, isto porque são utilizados em veículos que rodam em circuito urbano, normalmente em percursos curtos e em velocidades reduzidas mas repetidas vezes. É claro que haverá a procura de um pneu que permita conforto e baixo índice de ruído, mas a aposta será sempre permitir a melhor contribuição para níveis de consumo inferiores, esperando-se depois um bom grip para o “pára-arranca” do trânsito citadino.

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Excelentes, bons, aceitáveis... e usados!

Perante isto, no momento da escolha que antecede a aquisição de pneus, depois de se ter em conta as medidas permitidas pelo livrete, será importante ter em conta a utilização que os mesmos irão ter. Ainda assim, os pneus destas três grandes famílias – desportivos, turismo ou utilitários – podem ser encontrados, qualquer um deles, provenientes de grupos de marcas distintas em termos de oferta, surgindo aqui as marcas “premium”, “mid” e “budget”, referentes afinal aos pneus excelentes e normalmente com um preço mais elevado, ainda os pneus bons e os aceitáveis.

Há ainda quem, no momento da compra de pneus para um veículo ligeiro, pense apenas na questão financeira e, por via disso, avance para uma quarta opção através da aquisição de pneus usados, normalmente importados de países onde deixam de rodar “mais cedo” acabando por entrar em circuitos comerciais menos transparentes mas, por norma, com preços menores. Encontra-se muito em Portugal, por exemplo, pneus provenientes de mercados nórdicos que entram no nosso circuito comercial de uma forma pouco cuidada, até porque estamos a falar de pneus de inverno, dotados de um composto de piso e um piso próprios para cenários de neve ou gelo, preparados para utilizações perante temperaturas inferiores a 7 graus. Acontece que, em climas amenos como o português, com temperaturas bem mais elevadas, estes mesmos pneus não conseguem, naturalmente, uma resposta adequada já que voa ter um desempenho completamente diferente.

Na eventualidade de estarem a ser utilizados pneus importados de outros países europeus, sem serem no entanto pneus de inverno, será necessário ter em atenção se houve lugar ao ressulcar do pneu, que o mesmo é dizer a uma abertura de piso, uma prática ilegal em pneus ligeiros. Essa acção, ao ser feita, vai afectar o pacote de telas estabilizadoras, pelo que só em pneus devidamente construídos com esse pressuposto é possível tal prática.

J.R.

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Tags: Pneus , entrevista

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