Os novos combustíveis na experiência d'A Nossa Oficina

quarta, 10 junho 2015

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“As nossas vendas de produtos simples desde o dia 17 de Abril, data em que a lei foi aplicada, até quarta-feira, dia 29, representaram 0,9 por cento do total dos combustíveis comercializados”. A afirmação é de Artur Esteves, proprietário do posto de abastecimento da Galp em Cinfães, A.Esteves Lda. , segundo o qual as pessoas continuam, basicamente, a consumir os mesmos produtos que consumiam antes. “A única alteração que existiu resultou do facto das pessoas que consumiam os combustíveis aditivados, que no nosso caso deixou de existir, passaram a utilizar os combustíveis Hi-Energy, ou seja, o de média gama, sendo que no meu posto da Galp tive que abdicar da gasolina de 98 octanas tendo as pessoas passado desde então a optar pela gasolina de 95 octanas”, explica.

Estas mudanças, curiosamente, nem tão pouco provocou grandes perguntas ou sequer curiosidade por parte dos consumidores, pelo menos neste posto de Cinfães, situação que Artur Mendes atribui à divulgação feita antecipadamente pelos Órgãos de Comunicação Social que, diz, terão criado expectativas que não se confirmaram junto do grande público. “A Comunicação Social, com a abordagem a este tema a partir da perspectiva dos combustíveis low cost, criou uma expectativa para o cliente de uma diferenciação de preços muito grande que todos nós sabíamos que não iria existir”, diz.

A aposta em combustíveis simples, contudo, também terá o seu “preço”, ainda a julgar pela opinião de Artur Esteves, ele que tem junto ao seu posto Galp uma Oficina First Stop que lhe permite a experiência prática sobre as questões colocadas pelo público em redor deste tema. “A aposta em diferentes tipos de combustível resulta, naturalmente, na diferenciação da performance do motor e na respectiva vida útil. É evidente que isto não é quantificável, e não tenho dados para quantificar isto, mas existem consequências para os veículos se a aposta for feita num combustível de menor qualidade de uma forma continuada! E próprio tive um problema num automóvel usado de uma gama premium, que teve que levar quatro injectores, e a razão pela qual isso aconteceu resultou do uso de combustíveis low cost.”

Uma prática que Artur Esteves não vê como viável tem a ver com a utilização de aditivos externos, que possam ser procurados entre os produtos comercializados no mercado para dotar o combustível desta ou daquela propriedade que as gasolinas ou gasóleos simples não apresentem. “Essa não será certamente uma solução pois, apesar de serem necessários algumas contas, facilmente se deverá concluir que, em face do dinheiro que as pessoas teriam que gastar na aquisição de um aditivo desses para incluir no depósito de combustível, seguramente irá ficar mais caro do que usar desde logo m combustível aditivado”, explica.

Assumindo a convicção de que “esta lei não deverá durar muito tempo”, por via da não concretização dos objectivos a que a mesma se propunha, Artur Esteves, esclarece o motivo pelo qual acredita que a lei terá “vida curta”: “O objectivo que o Governo seguramente tinha com a aplicação desta lei, e que era a diversificação da oferta, não vai surtir efeito. A consequência desta medida é muito pequena em relação aos preços praticados e o cliente que recorre aos hipermercados vai continuar a fazê-lo tal como aquele que não pretende aqueles produtos vai continuar a dirigir-se às marcas de combustível premium.” 

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