Sabe o que fazer se houver um engano no combustível?

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Pediu o automóvel emprestado a um amigo ou trouxe um carro da empresa que normalmente não utiliza e precisou de colocar combustível. Fiel aos seus hábitos recorre ao combustível que normalmente usa mas assim que termina o abastecimento dá conta de que aquele carro não é igual ao seu e o combustível que usa é afinal diferente daquele que colocou. E agora? O que fazer?

A colocação de combustível errado num automóvel não é tão invulgar quanto possa parecer, ainda que os construtores automóveis tenham criado alguns mecanismos para que isso não aconteça. Desde logo a cor das mangueiras do combustível, com o preto a indicar o gasóleo, pretende diminuir a probabilidade de erro. Só que ainda assim o erro continua a acontecer e os sofredores, nesse caso, são o motor do seu carro... e a sua carteira!

Perante uma situação de erro, com a colocação de gasolina num veículo a gasóleo ou vice-versa, a primeira atitude a tomar será manter o carro desligado e procurar, se possível, retirar o combustível errado do depósito e circuito de alimentação do motor. Todavia, esta acção nem sempre se torna possível, principalmente porque quem comete o erro da troca de combustível, normalmente, só se apercebe disso já com o veículo em andamento, quando este começa a falhar “acusando” a troca feita. Nesse momento, o melhor mesmo será parar, desligar o motor, e recorrer a uma oficina. Pontualmente, porém, poderá adoptar outras atitudes.

Em termos práticos, as complicações são maiores para quem colocar gasóleo num veículo a gasolina do que o inverso. Aliás, por via disso mesmo, a entrada do depósito de combustível para veículos a gasolina é mais estreita, por forma a impedir que, nos postos de combustível, as ponteiras das mangueiras de gasóleo possam ser utilizadas. É claro que apesar disso, ainda há quem insista no erro e acabe mesmo por o cometer, e aí pode ser a morte do artista, que o mesmo é dizer a morte... do motor!

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Vejamos então o erro mais comum: a colocação de gasolina em veículos movidos a gasóleo. Porque a gasolina é um fluido mais fino do que o gasóleo, e também porque tem uma capacidade de explosão maior, pode causar graves danos num motor diesel. Em jeito de curiosidade, saiba que tal como o óleo, também o gasóleo não evapora como a gasolina, até porque se trata de um fluído mais pesado. Um litro de gasóleo é cerca de 120 gramas mais pesado do que um litro de gasolina.

Assim, logo após o abastecimento de combustível de forma errada, e caso se detecte o erro antes de se colocar de novo o carro em funcionamento, será imperativo nem sequer tentar fazê-lo. Porém, se der conta do erro já depois de ter colocado o veículo em marcha, David Quental, responsável mecânico da MatiPneus, Oficina First Stop em Lisboa, não hesita em apontar para a necessidade de “parar a marcha e desligar o motor logo que possível”.

“Independentemente do erro cometido pelo combustível usado, a atitude mais correcta a tomar será sempre não colocar o veículo em funcionamento ou, se isso já tiver acontecido, desligar o carro logo que possível para evitar danos maiores. A partir daqui, os passos seguintes a seguir já poderão estar dependentes do tipo de erro que se cometeu”, esclarece este técnico segundo o qual, no caso da colocação de gasolina no depósito diesel, dependendo das quantidades, “tudo poderá não passar apenas de um grande susto de consequências menores”.

“Perante uma pequena colocação de gasolina num veículo diesel, e se for de todo impossível retirar o combustível, nomeadamente porque já se colocou o automóvel em funcionamento, uma das soluções poderá passar por parar de novo no posto de abastecimento mais próximo e completar o abastecimento agora de forma correcta, com gasóleo, atestando o depósito, isto havendo a certeza de que a proporção de gasolina naquele mesmo depósito não irá ultrapassar os 20 por cento. Se assim for, certamente que o motor irá ‘acusar’ a presença de um fluido errado, isto porque passará a funcionar graças a um gasóleo “adulterado”, irá soluçar um pouco e deitar muito fumo, mas poderá ainda assim funcionar”, resume David Quental.

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Este técnico não hesita ainda assim em aconselhar para a necessidade de abastecimentos sucessivos de gasóleo, para diminuir gradualmente e tão rapidamente quanto possível a proporção da gasolina no total do depósito. Depois, será de todo aconselhável recorrer a uma oficina para que o motor possa ser revisto, verificando de facto a possibilidade de algum dano provocado pela troca de combustíveis.

Em muitos casos, porém, o erro é de facto grande, nomeadamente quando o automobilista coloca uma grande quantidade de gasolina num veículo diesel. Perante essa situação, a única solução será mesmo parar o automóvel e avançar para a retirada do fluído errado do depósito e do circuito de alimentação do motor. Aqui, como nos dá conta o técnico da MatiPneus, “porque a maior parte dos carros a gasóleo têm o filtro de combustível junto ao motor, e muitos possuem uma bomba manual ou uma ‘pêra’ de sucção através da qual torna-se possível puxar o combustível errado extraindo-o do depósito, o que haverá a fazer é mesmo retirar a gasolina por esse caminho.”

Em alguns modelos automóveis, a ausência da bomba manual de sucção referida atrás é compensada com a existência de uma válvula de drenagem, posicionada na posição mais baixa do depósito, através da qual é possível retirar o combustível. Neste caso será importante ter um recipiente que possa receber todo o líquido que irá ser libertado.

Havendo a bomba manual de que se falou atrás, retira-se o tubo que alimenta o motor e, accionando a bomba, pelo menos nos modelos em que esta se encontre disponível, será importante extrair a quantidade máxima de combustível, isto se não se tiver colocado o carro a trabalhar após o erro. Porém, se o carro já tiver sido colocado em funcionamento, e porque, por via disso, foi colocada gasolina a circular no bloco, o procedimento poderá ser o mesmo, mas deve ser complementado com uma acção mais profunda de verificação ao motor.

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A presença de um combustível mais inflamável, como é a gasolina, no seio de um motor diesel, resultará em danos ao nível das válvulas, pistões, injectores e outros componentes que, porque não estão dimensionados para as prestações de fluídos com outras características, acabam por se ressentir e acusar o erro cometido. Perante isto, torna-se assim necessário em muitos casos retirar o depósito do veículo, extrair todo o combustível, proceder à limpeza dos injectores e verificar a eventual presença de danos na câmara de combustão ou em alguma válvula.

Gasóleo na gasolina: complicações acrescidas!

Na análise às consequências da presença da gasolina nos motores a gasóleo verifica-se que a maior capacidade de explosão da gasolina poderá provocar temperaturas muito mais elevadas com os danos daí decorrentes em termos mecânicos. Como resultado deste facto, poder-se-ia pensar que o inverso, a presença de gasóleo nos motores a gasolina, porque se trata de um combustível menos comburente, teria consequências menos gravosas, mas a verdade é exactamente inversa. O que se passa é que o gasóleo é um fluído mais espesso que, quando colocado no depósito, começa logo por provocar falhas na bomba do combustível entupindo todo o sistema e não permitindo que o carro trabalhe.

David Quental aponta assim como uma situação “claramente bem mais complicada a presença de gasóleo num motor a gasolina”. “Numa situação dessas, a única coisa a fazer é levar o automóvel até uma oficina, sem tentar sequer colocar o carro em funcionamento, para que o depósito possa ser extraído, limpo, retirando todos os vestígios de gasóleo dos circuitos de acesso de combustível ao motor. Devem ser trocados os filtros de combustível e deve ser verificada a presença de gasóleo no motor, nomeadamente ao nível dos injectores que muito provavelmente irão entupir perante a presença de gasóleo, um combustível mais grosso para o qual não estão preparados.”

Resulta assim desta realidade que o primeiro erro, pelo qual foi colocada gasolina num depósito de um veículo a gasóleo, ainda é aceitável e pode ser ultrapassado com alguns procedimentos caso o erro seja menor e detectado a tempo. Já o segundo erro, cometido pela colocação de gasóleo num depósito de gasolina, obriga mesmo à paragem do automóvel e a uma limpeza mais cuidada sob pena dos danos serem graves e com custos financeiros elevados na resolução dessa situação.

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